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Fialho de Almeida - Bibliografia

 

José Valentim Fialho de Almeida

Biografia

Fialho de Almeida nasceu a 7 de Maio de 1857 em Vila de Frades. Aos 9 anos partiu para Lisboa, para estudar no Colégio Europeu, que teve que abandonar aos 15, por dificuldades financeiras da família, tendo-se empregado como ajudante numa farmácia de Lisboa. O curso de medicina, que viria a tirar, obteve-o, também, com custo e bastantes privações. Não obstante, cedo abandonou essa prática para se dedicar quase exclusivamente à escrita. O seu amor pela palavra proveio de abundantes leituras, sobretudo de autores portugueses – clássicos e seus contemporâneos – e franceses, que lhe abriram perspectivas para o modo como viria a analisar e criticar o mundo em que viveu e, em particular, a realidade portuguesa.
A juventude e o início da idade adulta foram passadas em Lisboa, cidade que percorreu incessantemente, frequentando cafés e tertúlias onde conviveu com a intelectualidade da época mas, também, os meios populares, onde assistiu à miséria e às dificuldades de um povo que viria a retratar nas suas obras.
A sua experiência de vida contribuiu, sem dúvida, para alguns dos traços mais marcantes do seu carácter. A independência e posição não alinhada granjearam-lhe, ao longo da vida, diversas inimizades, o que acentuou ainda mais esses traços: a amargura, a revolta, o espírito de crítica irónica e implacável.
O casamento aos 36 anos com Emília Pego, natural de Cuba, levou-o a instalar-se naquela vila, onde passaria a viver como um lavrador remediado, ocupando-se, agora com os seus crónicos problemas económicos resolvidos, das propriedades agrícolas que herdou pelo matrimónio. Enviuvaria, porém, menos de um anos depois, continuando, no entanto, a residir em Cuba. Após o falecimento da mulher, empreendeu diversas viagens pelo país, por Espanha e outros países da Europa. Doente, viria a falecer nessa vila a 4 de Março de 1911, com 53 anos de idade.
O seu jazigo no cemitério de Cuba, encimado por uma escultura representando dois gatos, em alusão a uma das suas obras, continuará, porém, a proclamar a sua forma de estar na vida e na literatura, que ele próprio descreveu no Prefácio de “Os Gatos”: "miando pouco, arranhando sempre e não temendo nunca".

 

A obra de Fialho

A obra de Fialho é vasta, composta por ficção e crónicas, que publica em jornais e revistas da época, em Portugal e no Brasil, e virão a ser, posteriormente, coligidas em livros. Foi considerado, por Óscar Lopes e António José Saraiva, na sua “História da Literatura Portuguesa”, o mais importante prosador na transição do século XIX para o século XX.
A importância deste autor traduz-se, segundo o especialista Ricardo Revez, em 4 aspectos fundamentais:
O testemunho que as suas crónicas dão da época em que viveu, com uma lúcida análise dos problemas maiores que afectam a sociedade e propostas para os ultrapassar, das quais a mais importante passa, sem dúvida, pela educação e instrução do povo, pois só com uma opinião pública esclarecida será possível inverter a tendência para a decadência, o atraso e a corrupção que grassam no país.
A originalidade e modernidade do seu estilo, que evolui a partir do naturalismo, tendência dominante na literatura de então, e vai incorporando diferentes tendências estéticas, do impressionismo ao expressionismo.
O enriquecimento que trouxe à língua portuguesa, criando múltiplos e variados neologismos (novas palavras ou expressões) e utilizando nos seus textos tanto estrangeirismos (palavras, expressões ou construções de frases de outras línguas) como expressões da linguagem popular.
A sua personalidade, independente, rebelde e marginal, reflectida no pseudónimo que por vezes utilizou de “Valentim Demónio” e que lhe permitiu criticar todos os aspectos da sociedade que mereciam a sua reprovação, fosse a da monarquia em que viveu a maior parte da sua vida, fosse a da república recentemente implantada.
Este último aspecto pagou-o caro em vida, gerando incompreensões e inimizades e contribuindo para o afastamento de alguns amigos e para o isolamento em que passará a parte final da sua existência, mas assegurou para o futuro um conjunto de testemunhos de extremo valor para a compreensão de uma época decisiva da História de Portugal.

 

   
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